Governo do Distrito Federal
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22/03/18 às 17h13 - Atualizado em 22/03/18 às 17h13

Brasília, muito além da Esplanada

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A divulgação dos dados do IBGE sobre o PIB 2015 e as Contas Regionais levaram alguns a afirmarem, de maneira completamente equivocada, que o Distrito Federal (DF) é uma economia sem produção, que vive dos salários da sua elite burocrática. A administração pública é relevante? Claro. Afinal, Brasília é a capital do país. Mas tais afirmações não descrevem a dinâmica da economia local e estão, também, eivadas de preconceitos contra a cidade. Trazemos aqui um quadro diferente da “cidade-parasita”, tão ao gosto de analistas de ocasião, que não conseguem enxergar Brasília como a grande metrópole que é.

 

Nossa economia representa 3,6% do total das atividades nacionais. É a oitava do país, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, os estados do Sul e Bahia. O PIB per capita do DF é o mais elevado do Brasil — 2,5 vezes a média nacional. Os salários altos de uma elite do funcionalismo explicariam sozinhos a alta renda? Não. Se a administração pública no DF fosse igual à de São Paulo, ainda assim teríamos um PIB per capita mais alto do que o paulista. E continuaria sendo o maior do Brasil. Estudo da Codeplan demonstra que o diferencial de renda entre o setor público e o privado explica somente 20% da desigualdade salarial no DF. O que explicaria o resto?

 

A taxa de escolarização da mão de obra é certamente um fator: ela é a mais alta do país. Educação tem correlação direta com renda. O DF conta com 1/3 da população acima de 25 anos com mais de 11 anos de estudo, praticamente um ensino médio completo. A segunda colocada é a região metropolitana de Curitiba, com pouco mais de 1/5. A qualificação da mão de obra no DF também se destaca pelo número de doutores. Segundo o CNPq, o DF tem quase 181 doutores por 100.000 habitantes. O Rio de Janeiro, segundo colocado, tem metade disso. Brasília também foi considerada, pelo IBGE, a Grande Metrópole Nacional. Segundo a Regic/IBGE, nossa cidade polarizava, em 2007, uma área equivalente a 298 municípios e uma população de quase 10 milhões de habitantes. No coração de uma região que cresce de forma consistente pelo agronegócio, Brasília consolida-se como uma grande provedora de serviços.

 

A alta qualificação da mão de obra e altíssima conectividade da população à internet (primeiro lugar em acessibilidade de telecomunicações no país) fazem com que o DF seja a sexta maior economia no setor de informação e comunicação em valor adicionado bruto. Recentemente, Brasília foi incluída na rede de Cidades Criativas da Unesco, categoria Design. A concentração de uma juventude conectada, com alta qualificação e cosmopolita, inspira a criação de clusters de profissionais para uma economia criativa. Segundo dados da Firjan, a participação da economia criativa no DF é a terceira maior no Brasil, atrás apenas de SP e RJ, com 3,7% do valor adicionado gerado em Brasília. O sucesso de duas edições da Campus Party e a instalação do parque tecnológico Biotic, aceleradoras e uma gama de startups mostram a dinâmica e vitalidade do setor na nossa capital.

 

Há também por aqui uma cultura empreendedora. No Índice de Cidades Empreendedoras 2016 (IBGE), Brasília tem o melhor índice de custo do Brasil e segundo melhor ambiente regulatório. Já no Ranking de Competitividade dos Estados 2017, da CLP, estamos em quarto lugar geral, depois apenas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Somos primeiro lugar nos indicadores de Sustentabilidade Ambiental e Capital Humano, e avançamos consistentemente desde 2015 nos indicadores de Segurança Pública, Potencial de Mercado, Sustentabilidade Social, Eficiência da Máquina Pública e Inovação. Nesse último quesito, o aumento do gasto em Pesquisa & Desenvolvimento nos fez subir oito posições no ranking em apenas dois anos.

 

O estudo da Macroplan Desafios da Gestão Estadual, recentemente publicado pela revista Exame, nos coloca em terceiro lugar geral, e demonstra que temos avançado nos indicadores de Instituições, de Segurança e de Infraestrutura, o que torna o DF o melhor lugar para a Juventude viver no país — e, certamente, um polo de atração para empreendedores. É mais fácil, sempre, se apegar aos estereótipos. Mas Brasília é uma cidade vibrante, dinâmica, econômica e culturalmente, que, inspirada em seu arrojo modernista, se consolida como polo e referência nacionais. Com Esplanada, sim, mas para muito além dela.

 

(*) Leany Barreiro Lemos – Pós-doutora em ciência política por Oxford e Princeton, e está secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal

 

(*) Bruno Cruz – Doutor em economia pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica) e está diretor de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos da Codeplan

 

Correio Braziliense, 23/11/2017

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