Governo do Distrito Federal
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11/06/15 às 19h44 - Atualizado em 29/10/18 às 12h04

Cesariana é o tipo de parto mais comum entre mulheres de Brasília

Em 2013, 54,78% das gestantes utilizaram o procedimento, de acordo com estudo divulgado pela Codeplan

Isaac Marra, da Agência Brasília

Seja por opção pessoal, seja por indicação médica, os partos normais são os mais comuns entre as mulheres solteiras, enquanto as casadas são maioria entre as que fazem cesariana, procedimento mais utilizado no Distrito Federal entre 2000 e 2013. Nos 12 municípios goianos que compõem a Periferia Metropolitana de Brasília (PMB), a realidade é diferente: o parto normal ainda é o favorito, embora esteja perdendo espaço para a intervenção cirúrgica. As conclusões são de um estudo divulgado pela Companhia de Planejamento de Brasília (Codeplan) nesta quinta-feira (11), com base em registros do Ministério da Saúde.

O texto, parte da série Demografia em Foco, apresenta o perfil — grupo etário, estado civil, escolaridade e cor/raça — das mães segundo o tipo de parto utilizado nos anos 2000, 2007 e 2013 na área metropolitana de Brasília, que envolve o DF e a Periferia Metropolitana de Brasília, formada pelos municípios goianos de Águas Lindas, Alexânia, Cidade Ocidental, Cocalzinho, Cristalina, Formosa, Luziânia, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso. O estudo também compara os dados do DF com os verificados entre as mães residentes nas cidades goianas.

Num âmbito geral, a cesariana é o procedimento mais comum entre as gestantes no Distrito Federal desde 2007, quando o índice era de 51,89%. Em 2013, chegou a 54,78%. De 2000 a 2006, o parto normal era a escolha da maioria.

Entre as mulheres casadas, a evolução do parto cesáreo no DF atingiu seu ápice em 2007, ano em que o índice desse procedimento chegou a 67,39%, enquanto o verificado entre as solteiras foi de 42,96%.

Em relação à faixa etária, a pesquisa informa que, em 2000, o parto normal era o mais utilizado pelas mães entre 15 e 29 anos. De 30 a 49 anos, a maioria se submetia à cesariana. Os dados de 2007 e 2013 mostram que a utilização do parto cesáreo aumentou entre as mães mais jovens e esse tipo passou a ser o favorito para as mulheres a partir dos 25 anos de idade.

Quanto à escolaridade, a publicação da Codeplan revela que, no DF, o parto normal é o mais utilizado entre as mães de baixa escolaridade. As que estudaram mais de oito anos, incluindo ensino superior e de pós-graduação, têm filhos por cesariana. A situação é diferente na PMB. Nos municípios goianos, as que não têm instrução ou até 11 anos de estudo ganham filhos em parto normal. Setenta e seis por cento das mães com escolaridade superior a 12 anos têm-se submetido à cesárea.

O parto normal prevaleceu entre as negras nos três anos abordados pelo estudo. Entre as não negras, predominou o cesáreo, com registro de 75% desse tipo de procedimento em 2013.

Motivações
Com base em artigos científicos, a Codeplan indica algumas razões citadas pelas mulheres que fizeram cesariana para a escolha. As mais frequentes são receio pela dor do parto normal, experiência anterior bem-sucedida com esse tipo de procedimento e desejo de fazer laqueadura na mesma intervenção cirúrgica. O estudo divulgado hoje destaca ainda o pouco conhecimento das mulheres sobre as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto.

A internação antecipada da gestante, ainda com pouca dilatação, é outro fator que contribui para o aumento das cesarianas no País. “Não se espera o amadurecimento do feto para proceder o parto”, avalia a fisioterapeuta Viviane Tobias Albuquerque, chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

A literatura médica aponta a possibilidade de riscos para a mãe e para o bebê associados à realização de cesarianas sem indicações obstétricas reais. Segundo o Ministério da Saúde, quando não há recomendação médica, a cesariana aumenta em 120 vezes as chances de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica as de morte da mãe.

Índice nacional
Em 2013, os partos cirúrgicos representaram 52% do total de partos no território nacional, índice 37 pontos percentuais maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde, de 15%.

O estudo da Codeplan, ainda com base na pesquisa bibliográfica, afirma que a frequência de parto cesáreo é maior nos “casos de prematuridade dos bebês das mulheres mais novas, solteiras, e com incidência de diabetes mellitus, pré-eclâmpsia e ruptura prematura de membranas.

Na expectativa de reduzir a utilização do parto cesáreo, o governo federal anunciou, em 6 de janeiro deste ano, a obrigatoriedade do preenchimento do partograma — documento que registra todas as etapas do trabalho de parto da gestante — em toda a rede particular de saúde do País. Nos hospitais públicos, isso já é obrigatório. A resolução normativa deve entrar em vigor em 7 de julho.

Veja o estudo aqui.

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