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30/06/16 às 21h45 - Atualizado em 29/10/18 às 12h03

Codeplan apresenta 12ª edição do Quintas Codeplan

Quem esteve nesta tarde (30), na Codeplan, para apresentar o tema “Crise econômica e mercado de trabalho no Brasil: uma interpretação” foi o economista do Dieese e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Tiago Oliveira.

O presidente da Codeplan, Lucio Rennó, ao apresentar o palestrante, disse que é importante a parceria entre a Companhia e o Dieese para entender, analisar o cenário e as causas da crise da situação do mercado de trabalho.

A palestra teve três blocos: o primeiro tratou da situação, baseada nos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O segundo, sobre reflexões das principais causas de deterioração, a partir de 2015, do mercado de trabalho, e o terceiro, sobre a “inevitabilidade” da ocorrência desse processo, nas intensidade e extensão verificadas a partir de 2015.

Para Tiago, a situação atual do mercado de trabalho brasileiro diz respeito à evolução da taxa de desocupação. Em 2013, variou de 6%, fechando o ano com 7%. A partir de 2015, a taxa sofreu reversão. Ele citou a elevação na taxa de desocupação no primeiro trimestre. Nesse período, observou-se grande número de demissões, resultando na saída do mercado de trabalho de 1,4 milhão de pessoas, pressionando a informalidade. “Com esse processo, o trabalhador fica desassistido das políticas sociais”, exemplificou.

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Oliveira afirmou que houve aumento da taxa de desemprego de forma muito rápida, com perda da importância da indústria, deterioração do trabalho, tendência de queda do rendimento médio da renda desde 2015, o que já era baixo. Entre os setores mais atingidos com a queda na taxa de emprego foram a Indústria de Transformação e a Construção Civil.

Estudos mostram – segundo Oliveira – que a rápida deterioração é resultado da profunda aceleração do mercado brasileiro. Disse que 1930 e 1931 foram os únicos anos consecutivos que registraram quedas expressivas no Produto Interno Bruto. “Em 2014, houve descolamento da economia mundial. O PIB desaba a partir de 2014, 2015 e 2016”, destacou.

O palestrante enumerou as principais causas externas para a desaceleração econômica, entre elas, a onda da crise econômica internacional, em 2008 e 2011 e para causas da desaceleração econômica internas: a forte contração fiscal no início do segundo Governo Dilma. Também o aumento rápido e continuado da taxa selic, que passa de 7,25%, em outubro de 2012, para 14,25%, em julho de 2015.

Acrescentou que a gradual saturação de uma norma de consumo assentada em bens duráveis e elevação da inadimplência, aliado a um ambiente de forte instabilidade política, iniciado em junho de 2013, comprometeu as decisões de investimento dos agentes privados. Citou ainda que, no final de 2014, a adoção de políticas de austeridade adicionou um vetor contracionista a uma economia já em franca desaceleração.

Por fim, Oliveira disse que a discussão sobre a superação dos problemas estruturais do mercado de trabalho brasileiro se confunde com a discussão de uma agenda de políticas públicas que promova o crescimento econômico com transformação estrutural e maiores níveis de homogeneidade social.

Participaram da Mesa, além do presidente da Companhia, Lucio Rennó, e do palestrante, Tiago Oliveira, o supervisor do Escritório Regional do DF do Dieese, Max Leno de Almeida. 

Reportagem: Eliane Menezes
Fotos: Toninho Leite

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