Governo do Distrito Federal
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6/02/13 às 18h19 - Atualizado em 29/10/18 às 12h02

Codeplan divulga estudo sobre a dinâmica migratória na AMB

A Dinâmica Migratória na Área Metropolitana de Brasília (AMB) entre 1991 e 2010 foi divulgada hoje, na Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). A Área Metropolitana de Brasília (AMB) compreende o Distrito Federal e os 11 municípios goianos que compõem a periferia metropolitana.

A publicação é a sexta do volume da série Demografia em Foco do Núcleo de Estudos Populacionais a vir a público. É parte do Projeto “Migrações Internas nos decênios 1990 e 2000 em UFs selecionadas: mudanças e continuidades” do Acordo de Cooperação Técnica com o IPEA, e foi realizado com base nos dados dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010.

No seu saldo migratório, o Distrito Federal vem sofrendo uma redução em todo o período analisado, chegando a uma queda de 42,9% entre 2000 e 2010.

“O fluxo migratório na Área Metropolitana de Brasília entre o Distrito Federal e os 11 municípios da sua periferia metropolitana, que são Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Cidade Ocidental, Cristalina, Formosa, Luziânia, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás vem perdendo forças na capacidade de atração e retenção populacional, provavelmente devido ao elevado custo de vida”, disse o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya.

“Trata-se de estudo com foco na região periférica. Traz toda a evolução da dinâmica dessas últimas décadas. Busca fazer uma análise da migração da Área Metropolitana de Brasília – AMB para investigar a origem dos fluxos migratórios dos municípios limítrofes em relação ao Distrito Federal e demais áreas do país, no período de 1991/2010”, afirmou Jusçânio Umbelino, gerente da Base de Dados da Codeplan.

Ao se analisar a evolução dos saldos migratórios, o Distrito Federal perdeu as forças de atração e a capacidade de retenção, passando de um lugar, eminentemente receptor, para emissor, onde foram verificados comportamentos distintos entre o Distrito Federal e Goiás. “Em 1991, o saldo migratório de Goiás foi 2,4 vezes maior que o do Distrito Federal, persistindo, em 2000, esse comportamento, o que acentuou esse diferencial, passando para 8,6. Em 2010, o saldo migratório de Goiás foi ainda maior com 14,8 vezes que o do Distrito Federal”, enfatizou a demógrafa e uma das responsáveis pelo estudo, Lucilene Cordeiro.

A pesquisa apontou que, dentre os imigrantes do Distrito Federal, a maior participação foi de nordestinos, enquanto na periferia da AMB houve uma maior participação da região Centro-Oeste, chegando a percentuais próximos a 60% em todos os anos censitários.

Os resultados mostraram ainda que alguns municípios que compõem a Área Metropolitana de Brasília tiveram o volume de emigrantes em 2010 aumentado quando comparado aos resultados de 1991. No caso dos municípios, particularmente Águas Lindas de Goiás e Valparaíso do Goiás, saltaram de um total de 304 para 6.959 e de 1.877 para 7.149 pessoas, respectivamente.

Entre 1991 e 2000, percebeu-se que houve pouca diferença entre o saldo migratório do Distrito Federal e o dos demais municípios de Goiás. Em 2010, esse quadro mudou, uma vez que o saldo migratório do DF foi 8,5 vezes menor que o encontrado nesses municípios.

Quanto à participação dos imigrantes no volume da população, verificou-se que, em 1991, representaram 13,6% da população total do Distrito Federal, passando para 8% em 2010. Na periferia metropolitana, a redução no peso dos imigrantes, no seu volume populacional, foi de 48,6% entre 1991 e 2010.

Os movimentos migratórios entre os municípios que compõem a periferia da AMB se intensificaram ao longo dos anos. Em 2010, 13.087 pessoas migraram de um município para outro, volume 4,5 vezes maior que o observado em 1991. No entanto, ao se analisar o saldo migratório desses municípios, percebeu-se que em 1991, dos municípios existentes, apenas Formosa e Padre Bernardo perderam população para outro município da periferia da AMB, apresentando saldo migratório negativo. Em 2000, o quadro muda, ou seja, apenas os municípios de Águas Lindas de Goiás, Valparaíso de Goiás e Padre Bernardo apresentaram saldo positivo, sendo que, nesse último o saldo foi de apenas 33 pessoas. Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Cristalina e Valparaíso de Goiás concentram os saldos migratórios positivos.

Chamou a atenção o comportamento entre 2000 e 2010 de Águas Lindas de Goiás e Valparaíso de Goiás, uma vez que no primeiro houve uma redução de 46,6% no saldo migratório, no outro o saldo aumentou 32,7%. “Há que se considerar o fato de que esses municípios foram criados a partir de Santo Antônio do Descoberto e de Luziânia, respectivamente, o que pode explicar os saldos negativos apresentados, principalmente por Luziânia, município que mais cedeu população para a criação de municípios”, concluiu Cordeiro.

Ocorreu um processo de periferização do DF em 2000 provavelmente em decorrência da perda populacional em Brasília para os demais municípios que compõem a AMB, especificamente, para a cidade de Águas Lindas de Goiás.

No entanto, segundo o censo de 2010, uma parcela significativa dos movimentos migratórios já não perpassa pelo Distrito Federal. As pessoas saem do seu local de origem diretamente para periferia da AMB, embora, em alguns municípios como: Cidade Ocidental, Novo Gama, Padre Bernardo e Valparaíso de Goiás o fluxo foi contrário.

“Em 2010, 14 mil pessoas entraram no Distrito Federal, em compensação, 62 mil saíram do DF. O que se percebe é uma acomodação. Em 1991, eram 50 mil, em 2010, são 14 mil, isso mostra que Brasília vem perdendo a capacidade de atrair porque já não tem mais para onde se expandir tanto horizontal quanto verticalmente”, concluiu Aldo Paviani, assessor da presidência da Codeplan.

Texto: Eliane Menezes

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