Governo do Distrito Federal
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26/01/15 às 20h12 - Atualizado em 29/10/18 às 12h02

Codeplan divulga pesquisa do Programa Refeição Complementar nas escolas do DF

Mais de 95,8% dos diretores das escolas públicas do Distrito Federal reconhecem a importância da refeição complementar para os alunos contra 90,2% dos alunos que afirmaram não faltar comida em casa. Apesar disso, 79,3% desses alunos consomem os lanches oferecidos na escola segundo os resultados preliminares da Pesquisa do Programa Refeição Complementar nas Escolas, que foi divulgada na tarde de hoje, 26, na Codeplan.

Para o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya, trata-se de programa de alcance social muito bom. “Os dados impressionam bastante, chegando a 80% dos alunos que gostam da comida da escola. Avançou muito a refeição complementar”, ressaltou.

A pesquisa, que é resultado de parceria entre a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF), a antiga Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional do Distrito Federal (Caisan) e a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), teve como objetivos, entre outros, melhorar o rendimento pedagógico, por meio de ações de educação alimentar, ofertar frutas e hortaliças da agricultura familiar, minimizar os problemas de obesidade infantil na rede pública de ensino, oferecer merenda diferenciada aos alunos que estudam em áreas de insegurança alimentar e contribuir para redução do abandono e evasão escolar.

Segundo a Gerente de Estudos e Análises de Proteção Social, Keli Rodrigues de Andrade, foram pesquisadas 48 escolas do Distrito Federal situadas, em sua maioria, em áreas rurais e de alta vulnerabilidade social. Desse universo, por sorteio, foram entrevistados 701 alunos, do 4º ao 9º ano, entre os dias 18 e 28 de novembro de 2014, sendo aplicado também questionário aos 48 diretores das escolas com o objetivo de conhecer as percepções do Programa, a gestão do Programa, aspectos positivos e possíveis limitações. Com relação ao tempo em que o diretor está no comando da escola, apurou-se que boa parte (47,8%) está na direção da escola há pelo menos três anos, sendo 27%, há mais de quatro anos e 20,8% entre três e quatro anos e 31,2%, há menos de um ano e 18,7%, entre um e dois anos. Quanto à avaliação feita pelos diretores das escolas, cerca de 95,8% reconhecem a importância da refeição complementar para os alunos.

No questionário aplicado aos alunos, foram abordados o perfil do aluno, deslocamento de casa para a escola, alimentação na escola e fora, a avaliação da alimentação na escola e em casa, totalizando 46 questões. A maior parte dos respondentes, 33,5%, tinha entre 13 e 15 anos de idade, seguida pelos alunos de até 10 anos (31,7%) e de 11 a 12 anos (30%).

Para a forma de deslocamento entre a casa e a escola, 49,4% dos alunos fazem uso do transporte público escolar, 24,7% fazem o percurso a pé e 21,5%, de ônibus público. Sobre a distância entre a casa e a escola, 39,8% responderam que moram longe e 26,8% moram perto da escola, entretanto, a pesquisa aponta que mais de 21,1% afirmaram que sua casa era muito longe da escola e apenas 6,7% disseram morar muito perto da escola.

A gerente de estudos e análises afirmou que foram servidas, em média, 576 refeições por dia nas escolas para garantir o pão no café da manhã, o arroz com feijão no almoço e jantar dos alunos. No levantamento, foram apurados os hábitos alimentares em casa e na escola, tipos de alimentos consumidos nas refeições e a percepção da comida em casa em relação à oferecida pelas escolas.

Sobre as principais atividades que realizam fora da escola, chamou atenção um fato considerado positivo que é o percentual de alunos, com 38,8% respondendo ler livros fora da escola. Os que usam o tempo para estudar ou fazer os deveres somam 56,8% e mais da metade, 51,2%, usa o tempo para brincar com os amigos, enquanto 36,2% praticam esportes. De outra parte, 27,2% dos alunos mencionaram que uma das atividades extraescolares é ajudar a cuidar dos irmãos e 3,4% disseram que não fazem nada.

Quanto aos tipos de alimentos consumidos nas principais refeições pelos alunos fora da escola, no dia anterior à pesquisa, o pão foi o alimento mais consumido no café da manhã, com 47,8%, seguido de leite, 29%, biscoito, 28,1%, café com leite, 27,7%, café, 21,5% e pão de queijo, com 21%. Com relação ao consumo no almoço, o arroz apresentou o maior percentual, com 80%, seguido pelo feijão, 74,5%, a carne vermelha, 56,1%, o suco,46,5% e o frango 27,5%. No jantar, apesar de um percentual menor que no almoço, também prevaleceram o arroz, 75,2% e o feijão, 67,6%. Na sequência, apareceram a carne vermelha, 43,6%, o suco, 43,4% e o frango 26,8%.

Também foi analisado o motivo pelo qual não fizeram alguma das refeições fora da escola. Por não estarem com fome foi a resposta de 48%. Pelo mesmo motivo, 40,5% não almoçaram e 52,7% não jantaram. Com relação ao café da manhã, 21,4% disseram que não gostavam de tomar café da manhã; 23,5% preferem esperar para lanchar na escola ao invés de tomar café da manhã em casa e apenas 2% afirmaram que não tinham café da manhã em casa. Destaca-se que 41,7% não almoçaram em casa porque já tinham almoçado na escola e outros 6% disseram que não tinham almoço em casa. No que se refere ao jantar, 20% não gostam de fazer esta refeição e 5,4% que não comeram porque a comida não estava gostosa.

Quanto aos alimentos pouco saudáveis como, por exemplo, refrigerantes, chocolates, balas, biscoitos recheados e salgadinhos, consumidos em casa, destaca-se: tomam refrigerante, “às vezes, 79,2%” dos alunos, 15,8%, todos os dias e apenas 3,9% nunca, O consumo de balas, chocolates ou outras guloseimas ocorre, “às vezes”, para 72,9%, todos os dias, para 19,4% e nunca para 5,8%. Cerca de 75% deles consomem biscoito recheado “às vezes”, 15,7%, todos os dias e 8,3%, nunca. Quanto aos salgadinhos, chips e batatinhas, 77,3% os consomem “às vezes”, 10,3% todos os dias e 9,8%, nunca. Observa-se que o consumo de alimentos pouco saudáveis, como refrigerante, balas, biscoitos recheados, salgadinhos, chips, entre outros, todos os dias, é quase igual entre meninos, 37,4% e meninas, 36,8%.

Os alunos também foram solicitados a avaliar a quantidade de alimentos consumidos em casa. Destaca-se que 53,1% consideram comer muito “às vezes” e 26,2%, todos os dias. De outra parte, 17,5% consideram que comem pouco todos os dias. Pouco mais da metade dos alunos, 53,2%, disse que “às vezes” leva lanche de casa, porém, pouco mais de 1/3, o equivalente a 38,4%, afirmou não ter esta prática nunca, enquanto 6,1% levam lanche todos os dias. O consumo do lanche da escola ocorre “às vezes” para maioria, 64,6%, todos os dias, para 24,8%, e nunca, para 10,3%. A maior parte, 62,9%, disse gostar “às vezes” da comida servida na escola, 19% afirmaram que nunca gostam e 16,3% disseram que gostam da comida da escola todos os dias.

Quanto à possibilidade de continuar com fome, mesmo após comer o lanche da escola, a maioria, 56,6%, respondeu que isto nunca acontece, outros 32,7% disseram que ocorre “às vezes” e 7,6%, todos os dias. Ao serem perguntados se consideram que deveriam comer mais na escola, 50,8% dos alunos afirmaram nunca, 32,8%, “às vezes” e 12,6%, todos os dias. Sobre a hipótese de faltar lanche na escola, 76,9% responderam isto nunca acontece, 18,1% disseram que ocorre “às vezes” e 1,9% respondeu que todos os dias falta lanche na escola.

Refeições

Analisando-se o consumo de lanches da escola, segundo sexo, observa-se que não existem grandes diferenças, embora o percentual daqueles que consomem seja um pouco maior entre os meninos, 83,7% contra 79,2% das meninas. A maioria dos alunos disse fazer as três refeições: 81,2% tomam o café da manhã, 80,5% almoçam e 88,6% jantam em casa. Os alunos foram questionados sobre quantos dos lanches servidos no dia anterior haviam sido consumidos, 36,8% responderam que comeram apenas um dos lanches; 22,7%, os dois lanches e 19,8% não haviam consumido os lanches ofertados no dia anterior.

Sobre quais alimentos ofertados pela escola no dia anterior foram consumidos por eles, destacaram-se os biscoitos, 27,1%, seguidos por arroz, 22,8%, feijão,15,7%, carne de boi,15,4%, e leite,12,3%.

Ao finalizar a apresentação, Keli chamou atenção para um dado da pesquisa. Disse que 44,2%, a maior parte, responderam que os lanches ofertados pela escola são consumidos na sala de aula. Em segundo lugar, apareceram os refeitórios, com 28,1%, e outros, 24,7%, disseram não haver um lugar específico. “São resultados preliminares que deverão ser aprofundados com a nova gestão”, argumentou.

Confira os resultados aqui.

Reportagem: Eliane Menezes
Foto: Mauro Moncaio 

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