Governo do Distrito Federal
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21/12/12 às 13h45 - Atualizado em 29/10/18 às 12h00

Codeplan lança revista Brasília em Debate

A Codeplan lançou, no dia 19, no auditório da reitoria da UnB, a revista Brasília em Debate, em parceria com o Sebrae/DF. A revista substitui a publicação Indicadores Conjunturais, editada pela Companhia desde 1974. 

CARTA AO LEITOR

Em apenas 52 anos de existência, Brasília se transformou na 7ª maior metrópole brasileira, com estimados 3,65 milhões de habitantes em 2012, sendo 2,7 milhões no DF e 950 mil na sua periferia metropolitana, mais conhecida como Entorno Metropolitano. Trata-se, ainda, da unidade federativa de maior PIB per capita, de maior renda domiciliar per capita e de maior IDH. Seu mercado consumidor é o 3º maior do País, somente superado pelos das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Mas a sociedade construída em Brasília nesses 52 anos é também a que apresenta o maior coeficiente de desigualdade do Brasil, tanto em termos sociais – com 24% das pessoas residindo em domicílios com rendimento médio mensal de até 2 salários mínimos (metade do necessário para o sustento de uma família, segundo o Dieese) e 26% residindo em domicílios com rendimento superior a 10 salários mínimos – quanto espaciais, pois enquanto no Lago Sul, 92% das famílias tem renda acima de 10 SM e apenas 1,5% até 5 SM, na Estrutural, ínfimos 0,2% tem renda acima de 10 SM e 92% tem renda de até 2 SM (sendo que 54% até 2 SM).

A extrema desigualdade revela-se, ainda, no grau de escolaridade, na medida em que no Lago Sul e Lago Norte, 85% dos chefes de domicílios possuem nível superior completo, enquanto na Estrutural e Itapoã, é pouco mais de 1%. Em contraste, nessas RAs, os chefes de domicílios analfabetos ou que apenas possuem o nível fundamental incompleto, somam quase 70%, sendo apenas 1% nas RAs de renda elevada.

A base de tamanha assimetria é a estrutura produtiva existente no DF, cuja economia é fortemente dependente do setor público (55% do PIB), embora este gere pouco mais de 20% das ocupações. O rendimento médio dos assalariados do setor público é quase 4,5 vezes maior que nas demais ocupações. Não por acaso, os assalariados na administração e serviços públicos são mais de 40% dos ocupados no Sudoeste/Octogonal, Lago Norte, Brasília e Jardim Botânico, percentual que na Estrutural e em Itapoã não alcança 3%.

Se o DF se caracteriza pela baixa diversificação de sua estrutura produtiva, a periferia metropolitana destaca-se pela sua incipiência, razão da forte dependência do mercado de trabalho do DF, da baixa capacidade de arrecadação das administrações municipais e da pobreza da maioria de sua população. O PIB conjunto dos municípios da periferia metropolitana corresponde a apenas 4% do PIB metropolitano total, enquanto nas demais regiões metropolitanas do país, esta participação varia entre 25% e 50%. Sete dos dez municípios metropolitanos tem renda média domiciliar inferior a de 29 RAs do DF, superior apenas a da estrutural. A soma dos orçamentos municipais de nossa periferia, previsto para 2013, não chega a R$ 1,5 bilhão, mais de 20 vezes menor que os R$ 32 bilhões do orçamento previsto para o DF.

Outra grande distorção em nossa sociedade é a forte concentração dos postos de trabalho na RA 1 – Brasília, que com apenas 8% da população do DF, responde por 48% dos postos de trabalho existentes. Trata-se de uma RA com pouco mais de 200 mil moradoras, mas onde trabalham cerca de 650 mil, vindos das outras 29 RAs e dos municípios vizinhos. E o mais grave é que a população cresce nas RAs onde não são gerados os empregos.

Duas estratégias são imperiosas: diversificar nossa estrutura produtiva (com foco na atividade industrial) e desconcentrar as atividades econômicas, não somente no DF, mas de forma articulada com os municípios metropolitanos, tendo como pressupostos para a atração de novos investimentos, a ampliação e melhoria da infraestrutura econômica, objeto do PAC do DF e Entorno. Essas estratégias vêm sendo implementadas pelo GDF, mas deve-se ressaltar que ambas são de consecução de longo prazo.

Todas são questões que a Codeplan vem, nesses últimos dois anos, colocando na ordem-do-dia, extrapolando mesmo a sua missão que é a de produzir e disseminar informações, promovendo e provocando a reflexão sobre as distorções construídas nesses 52 anos e sugerindo alternativas. O lançamento de Brasília em Debate vem coroar este processo, instigando o debate, tornando-se um espaço para especialistas, acadêmicos, lideranças de entidades empresariais, sindicais e dos movimentos sociais debaterem temas fundamentais para o futuro do DF e veiculando propostas para a superação de nossos maiores problemas.

Brasília em Debate vem substituir, numa dimensão mais elevada, a Revista de Indicadores Conjunturais, editada pela Codeplan, de forma descontínua, desde 1974. Nesta primeira edição apresentamos em destaque uma síntese da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios do Distrito Federal (PDAD/DF-2011), com enfoque na desigualdade, destacando o fosso entre as regiões administrativas de alta e de baixa renda. Ainda nesta linha, reportagem aborda a questão do lixo no DF, sob o aspecto socioeconômico.

O entrevistado de nossa primeira edição é o geógrafo e professor aposentado da UnB Aldo Paviani, exímio conhecedor da nossa realidade socioeconômica e que discorre sobre os problemas que atingem nossa área metropolitana e formula propostas. Também o artigo do arquiteto e professor da UnB Benny Schvasberg trata da área metropolitana, em especial a sua necessária gestão integrada.

Já a engenheira Margarida Hatem aborda a questão do mercado de trabalho na área de turismo no Distrito Federal, tema pouco explorado em nossa cidade e o diretor de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan, Osvaldo Russo, discorre sobre os desafios de superar a miséria na Capital Federal, analisando as relações entre a desigualdade e a pobreza.

Por fim, o Sebrae/DF, parceiro da Codeplan em diversas áreas, inclusive na iniciativa de criação da Brasília em Debate, publica reportagem em que mostra o Distrito Federal como referência na formalização de empreendedores individuais.

Desejamos boa leitura a todos e um Feliz 2013.

Júlio Miragaya – Presidente da Codeplan

Brasília em Debate, ano 2012, nº 1 – Dezembro

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