Governo do Distrito Federal
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16/01/15 às 20h59 - Atualizado em 29/10/18 às 11h55

Estudo mostra concentração fundiária e elevado uso de agrotóxicos

A Codeplan divulgou dia 16 de janeiro, estudo sobre Agricultura Familiar no Distrito Federal, com base em informações secundárias do IBGE, Incra, Emater-DF e da própria Companhia. O trabalho aborda aspectos gerais do DF, a distribuição da população rural, um histórico da ocupação e uso das terras rurais, estrutura fundiária, situação jurídica dos imóveis, crédito rural, uso do solo, atividades agrícolas e o uso de agrotóxicos e teve como um dos objetivos analisar a função da agricultura familiar na agropecuária do Distrito Federal.

Segundo o estudo, 66% da população rural do DF está localizada nas Regiões Administrativas de Brazlândia, Planaltina, Gama, São Sebastião e Ceilândia, mas com destaque para Brazlândia e Planaltina que se sobressaem com mais de 30% desse contingente.

Para o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya, dois aspectos se destacam no estudo: a concentração fundiária e o elevado uso de agrotóxicos no DF. “A agricultura familiar no DF representa quase metade dos estabelecimentos agropecuários mas ocupa apenas pouco mais de 4% das terras, o que mostra uma grande concentração fundiária porque a outra metade ocupa cerca de 95% das terras” destacou ele, enfatizando que esta não é uma particularidade do DF mas que ocorre no país inteiro.

Outro ponto que se destaca no estudo é a questão do uso de agrotóxicos, que teve um aumento de 199,15% entre 2000 e 2011. “A agricultura no DF tem alta produtividade mas está baseada no uso excessivo de agrotóxicos e o grande desafio é manter a alta produtividade sem recorrer ao uso excessivo desses produtos, de forma a evitar problemas como a contaminação do solo e dos recursos hídricos”, ponderou ele.

Para Francisco dal Chiavon, da Coordenação do MST, conhecer as áreas improdutivas e torná-las produtoras de alimentos para atender a população do DF é de grande importância e, para ele, existem espaços em que se pode avançar na reforma agrária, começando pelas terras ociosas. Para ele, é importante incentivar a produção de alimentos para a população e não apenas a produção em grande escala.

Marco Aurélio Rocha, superintendente do Incra-DF, destacou as dificuldades em se implantar a reforma agrária no DF como as áreas degradadas, as ações de reintegração de posse e grilagem de terras mas destacou também a existência de casos de sucesso com a recuperação de áreas pelos trabalhadores com uma agricultura de cunho familiar sem o uso de agrotóxicos. Para ele, o trabalho da Codeplan vai nortear as próximas parcerias com o GDF para dar continuidade às regularizações de terra.

Participaram ainda do debate Roberto Santos, gerente de Agronegócios do Sebrae, Alexandre Valadares, técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, e Manoel Andrade, professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB.

Veja os dados aqui.

Texto: Nilva Rios

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