Governo do Distrito Federal
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23/10/14 às 20h55 - Atualizado em 29/10/18 às 11h53

Jovens negros são mais vulneráveis

O estudo Jovens Negros e Não Negros: Mortalidade por causas externas, na Área Metropolitana de Brasília, de 2000 a 2012 divulgado pela Codeplan na tarde desta quinta-feira (23.10), mostrou que a população jovem da raça/cor negra é mais vulnerável a mortes por causas externas (não naturais), sobretudo homicídios.

O trabalho analisou a evolução da mortalidade da população jovem – pessoas com mais de 15 e menos de 29 anos de idade – sob a perspectiva das raças/cor negra e não negra nos 12 municípios da Periferia Metropolitana de Brasília (PMB) e no Distrito Federal.

O Presidente da Codeplan Júlio Miragaya ressaltou que o estudo contempla toda a Área Metropolitana de Brasília (AMB) por entender que os municípios periféricos e o Distrito Federal estão inclusos dentro de um mesmo contexto. Segundo ele, os dados evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas para o segmento jovem, sobretudo aos negros e aos residentes em regiões de periferia. “É necessário aumentar o tempo desses jovens nas escolas, pois grande parte larga os estudos antes de completar sequer o ensino fundamental. É preciso qualificar profissionalmente, para que tenham mais oportunidades no mercado de trabalho e se incluam socialmente.”

A demógrafa da Codeplan Lucilene Cordeiro apresentou os dados do estudo. Entre 2000 e 2012, o número de óbitos gerais no conjunto de municípios estudados aumentou cerca de 41,7%. O volume de mortes considerando apenas a PMB registrou um aumento de 72,4%.

Entre os jovens, 70% dos óbitos registrados no período da análise foram de pessoas negras. Em 2012, esse percentual chegou a 82,6%. Enquanto a proporção de mortes gerais aumentou em todos os municípios da AMB, entre os não negros houve redução.

O estudo aponta que os casos de homicídio causam 3,6 vezes mais mortes na população jovem do que acidentes de trânsito, em toda AMB.

Entre os jovens negros, o volume de óbitos por causas externas foi de 12.367, entre os não negros este volume foi de 2.270 mortes. Considerando os homicídios especificamente, a grande maioria dos óbitos (90,2%) foram de pessoas negras.

No Distrito Federal a chance de um jovem negro morrer por causas externas foi 4,4 vezes maior que um jovem não negro. Em Águas Lindas de Goiás esse número chega a 6,6. Por lá, o risco de um jovem negro morrer por homicídio é 15,6 vezes maior do que uma pessoa não negra da mesma idade. Considerando toda AMB, o risco de um jovem negro morrer assassinado foi 5,7 vezes maior que um não negro.

No triênio 2010-2012 o risco de morte do jovem na AMB foi de 1,64 para cada mil jovens. Entre os municípios da PMB, isoladamente, esse risco foi de 2,44 mortes para cada mil. Considerando os resultados por raça/cor, verificou-se que a chance de um jovem negro morrer foi 2,9 vezes maior do que um não negro.

O gerente da base de dados da Codeplan Jusçanio Souza chamou a atenção para a dicotomia existente entre os indicadores do DF e dos municípios adjacentes. Ele afirmou que o estudo é uma importante ferramenta para a busca de soluções dos problemas detectados.

Mônica França, coordenadora do Núcleo de Estudos Populacionais da Codeplan disse que o jovem tem de ser prioridade para a gestão pública. Segundo ela, é necessário focar ações governamentais para esse segmento da população, que representa o futuro da sociedade.

Quando o debate foi aberto ao público presente, especialistas, imprensa e representantes da sociedade civil discutiram outras questões fundamentais acerca do tema central. Foi consensual a necessidade de se combater as drogas, findar os preconceitos e implantar políticas públicas também na área de cultura, esportes e lazer voltadas para a juventude.

Para acessar o estudo, clique aqui.

Texto: Júlio Poloni
Foto: Mauro Moncaio

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