Governo do Distrito Federal
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7/05/13 às 20h50 - Atualizado em 29/10/18 às 11h52

No DF, 22,23% das pessoas declararam possuir alguma deficiência

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou, na manhã de hoje (7.5), “O Perfil da Deficiência no Distrito Federal”. Elaborado pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, o trabalho tem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas e fortalecer a defesa e a garantia dos direitos desse público.

“A Codeplan vem trabalhando com informações precisas, atualizadas, e esse estudo tem a preocupação de caracterizar o perfil dos deficientes nos vários segmentos da população, possibilitando ao governo elaborar as políticas específicas. É considerável o número de pessoas que se declararam com algum tipo de deficiência”, afirmou o presidente da Codeplan, Júlio Miragaya.

Em 2010, segundo o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o número de pessoas com algum tipo de deficiência foi de 573.805 no Distrito Federal, ou seja, 22,23% do total da população, representando um crescimento da ordem de 8,79 pontos percentuais, comparado ao ano 2000, quando eram 13,44% da população.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais, Osvaldo Russo, disse que a Companhia assume grande importância para o governo na elaboração e divulgação de pesquisas porque elas apontam as lacunas, os espaços, que precisam ser trabalhados.

A pesquisa revelou que deficiência visual é predominante, seguida pela deficiência motora. O Gama é a região com maior número de pessoas com deficiência, com 27,20%, e, logo atrás, vem o Riacho Fundo II, com 25,54%. Entre as cidades com menor percentual, estão Vicente Pires, com 14,01%, e SCIA/Estrutural, com 13,17%.

Outro dado que chama atenção é a maior incidência de pessoas com deficiência na faixa etária entre 30 e 64 anos, possivelmente proveniente de acidentes e violências. “O estudo mostra que a maior parte das deficiências é adquirida, o que requer atenção não só das políticas de saúde, mas de todas as outras políticas, em especial as de transporte, trânsito e segurança pública”, alertou Russo.

Apesar de as escolas públicas oferecerem mais serviços para os estudantes com deficiência, como comunicação em Libras, Braille, oferta de ensino especial e outros recursos, os dados do Censo Escolar 2011 mostram que elas são menos preparadas fisicamente para receber essa população.

“Enquanto 84,39% das escolas particulares tinham vias próximas, dependências e sanitários adequados, com apenas 3,59% da rede sem adequações, na rede pública, menos da metade das escolas (20,34%) tinha sanitários adequados e 24,31% não tinham qualquer adequação”, disse Jamila Zgiet, gerente de Estudos e Análise Transversal da Codeplan.

O GDF avançou ao criar o Comitê Gestor de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, em 2012, no Distrito Federal, com o objetivo de formular, acompanhar, implementar, monitorar e avaliar o Plano Distrital de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, com a participação de 14 Secretarias de Estado, além da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). Hoje, a Subsecretaria de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, vinculada à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, é a responsável oficial pela pauta.

Em 2012, a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde) realizou, no Distrito Federal, 23.310 atendimentos, com inserção de 4.187 pessoas deficientes no mercado de trabalho.

Mesmo assim, o estudo mostra que a busca por atendimentos voltados para a capacitação e para a qualificação profissional das pessoas com deficiência é de apenas 1% da demanda para a Corde, verificando-se, nesse grupo, uma situação bastante desfavorável.

Ao parabenizar a Codeplan pelo estudo, o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Eduardo Brandão, disse que os números ajudam a conscientizar a sociedade, fazendo com que cada segmento trabalhe formas de combate à exclusão.

“A acessibilidade universal está anos luz à nossa frente. Em decorrência dessa falta de acessibilidade, pessoas perdem oportunidades de participarem mais não só do mercado de trabalho, mas da vida cultural”, exemplificou Brandão.

Sérgio Pimentel, da Secretaria de Justiça, representando o subsecretário de Defesa das Pessoas com Deficiência, César Pessoa, disse que é importante a parceria feita com a Codeplan e com as secretarias. Ele disse que é preciso avançar mais e que os empresários e os gestores públicos exercitem a arte da empatia, se colocando nos lugares dos deficientes.

Com a pesquisa, Pimentel disse que é possível sair da estaca zero. “Quem mais precisa de emprego não está no mercado de trabalho. O emprego levanta a autoestima. Temos que avançar na qualificação para o deficiente ser cidadão. Por meio dessas informações, vamos acertar o alvo, indo atrás dessas pessoas que estão precisando”, completou Pimentel.

Na avaliação do gerente de Base de Dados da Codeplan, Jusçânio Umbelino, é necessária atenção à questão do ambiente. “Verificamos a falta de acessibilidade dos transportes, de rampas, para se chegar ao trabalho”, arrematou.

Aldo Paviani, geógrafo e assessor da Codeplan, apontou a importância de se trabalhar a política de Estado e não de governo, a fim de que essas políticas tenham continuidade por 20, 30 anos.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais, Osvaldo Russo, agradeceu a participação dos representantes das entidades, dizendo que os dados vão ajudar “para que possamos melhorar a acessibilidade”.

O evento contou com a participação de dois tradutores em Libras e a exposição de obras de arte da artista plástica Cristina Portella. Essas obras puderam ser tocadas pelos visitantes, permitindo a apreciação por pessoas com deficiência visual.

Confira o estudo aqui.

Texto: Eliane Menezes

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