Governo do Distrito Federal
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25/11/15 às 16h39 - Atualizado em 29/10/18 às 11h50

PED aponta aumento na taxa de desemprego pelo terceiro mês consecutivo

O contingente de desempregados, em outubro, foi estimado em 230 mil pessoas, cinco mil a mais do que no mês anterior

A taxa de desemprego no Distrito Federal subiu ao passar de 14,6%, em setembro, para 15,1% em outubro e registrando, pela terceira vez consecutiva, aumento na taxa de desemprego e na taxa de desemprego aberto, que se elevou de 11,3% para 11,8% e a de desemprego oculto, 3,3%, sem variação. Esses dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego no DF – PED-DF, divulgada na manhã de hoje (25), pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal e Dieese.

Na apresentação dos dados, o diretor de Estudos de Pesquisas Socioeconômicas, Bruno de Oliveira Cruz, afirmou que a queda no número de pessoas no mercado de trabalho já vem ocorrendo desde julho. “O desemprego tem afetado fortemente o DF, principalmente os chefes de família”.

A pesquisa aponta ainda que o nível de ocupação, no mês em análise, diminuiu 1,5%, e o contingente de ocupados foi estimado em 1.291 mil pessoas, 20 mil a menos do que no mês anterior. “Esse resultado decorreu de reduções na Indústria de Transformação, que registrou forte queda de -12,5%, o equivalente à perda de seis mil postos de trabalho. Na Construção, foram -1,3% ou -um mil. Nos Serviços, 1,4% ou -13 mil. Já no Comércio, houve variação positiva de 0,4% ou um mil”, frisou Bruno. Acrescentou que a saída de 15 mil pessoas da População Economicamente Ativa – PEA mais a eliminação de 20 mil postos de trabalho contribuíram para o aumento do contingente de desempregados, que foi estimado, em outubro, em 230 mil pessoas, cinco mil a mais do que no mês anterior.

Apesar de tendência de elevação nos três grupos das regiões entre setembro e outubro nos três grupos analisados, no Grupo 3, que compreende as Regiões Administrativas, onde o poder aquisitivo é menor, verificou-se aumento de 17,7% para 18,2%, na taxa de desemprego. No Grupo 1, onde estão as regiões com renda mais alta, a taxa de desemprego teve ligeiro aumento, ao passar de 7,2% para 7,4% no período e, no Grupo 2, onde estão as RAs com renda intermediária, houve aumento da taxa que passou de 11,9% para 12,5%. Ao fazer uma análise comparativa de 2012 a 2015, Bruno destacou que o Grupo 1 foi o que menos sofreu com o aumento da taxa de desemprego.

“O desaparecimento de vários postos de trabalho no DF é o que nos preocupa”, afirmou o gestor de Políticas Públicas da Secretaria de Trabalho, Gerson Vicente de Paula, presente na divulgação da pesquisa. Ele disse recear a precarização do trabalho. “Neste ano, também houve redução dos empregos temporários, menos de 200 mil pessoas que deixam de ser contratadas”, alertou.

Para minimizar a situação, Gerson informou que a Secretaria do Trabalho vai implantar, no próximo mês, a escola de empreendedorismo para ensinar e potencializar a capacitação do público que recorre ao mercado de trabalho. Paralela a essa implantação, ocorre o lançamento da escola virtual com seis cursos destinados à qualificação e 11 cursos com carga horária de 40 horas/aula para atualização. “Pensar na manutenção dos que estão no mercado de trabalho e oferecer essa atualização são objetivos da Secretaria. Devemos avançar nas formas de relações de trabalho”, completou.

Segundo posição na ocupação, em outubro, o número de assalariados reduziu-se em 0,9%, favorecido pelo desempenho negativo no setor privado, -0,6% e no setor público, -2,2%. No setor privado, houve redução do assalariamento sem carteira de trabalho assinada de -3,0% ou – três mil e permaneceu estável o com carteira. Reduziram-se o número de autônomos -4,3% ou – sete mil) e o de empregados domésticos,-6,0% ou -5 mil e verificou-se variação positiva para aqueles classificados nas demais posições, 0,9% ou um mil. Entre agosto e setembro, o rendimento médio real registrou ligeiro aumento para os ocupados, 0,5% e redução para os assalariados, -1,5%, passando a equivaler a R$ 2.827 e R$ 2.854, respectivamente. O rendimento médio dos trabalhadores autônomos elevou-se em 1,4%, correspondendo a R$ 1.822.

No período analisado, a massa de rendimentos reais manteve-se relativamente estável para os ocupados, -0,1% e reduziu-se para os assalariados, -2,8%. No caso dos ocupados, esse resultado foi por conta do decréscimo do nível de ocupação e do ligeiro aumento do rendimento médio e dos assalariados. Entretanto, ao analisar o cenário, a coordenadora de Análise do Dieese, Adalgisa Lara Amaral, disse que a situação é preocupante. “Alguma coisa precisa ser feita para que não piore o quadro. O desemprego tem atingido fortemente os chefes de família”, pontuou.

“A divulgação é muita rica, mas chama atenção a elevação expressiva do desemprego, e isso não é peculiar só no Distrito Federal, mas no restante do País”, ponderou o técnico do Escritório Regional do Dieese no DF, Thiago Oliveira. “Analisando as pesquisas, entre 2014 e 2015, houve uma dinâmica do cenário, o que aponta para a queda do desemprego e da queda da renda média real dos trabalhadores”.

Para o fenômeno do desemprego, Thiago destacou três pontos: “a primeira é decorrente de mudanças na política econômica em favor do ajuste fiscal. O segundo, paralisação das cadeias de petróleo e gás e o terceiro, o mínimo de estabilidade política. Somando os fatores internos e externos está longe de se ter um cenário positivo”, enfatizou. Complementando a análise, disse que se agregar ao mercado de trabalho a área metropolitana, provavelmente teria uma maior taxa de desemprego.

Ao encerrar a divulgação, o presidente da Codeplan, Lucio Rennó, disse que é preciso investigar, saber as variações dos elementos que compõem o desaquecimento da economia. Para isso, propôs um evento, marcado para janeiro do próximo ano, com o objetivo de debater essas variações do mercado e o comportamento das taxas de aumento do desemprego.

Veja a pesquisa na íntegra aqui

Reportagem: Eliane Menezes

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