Governo do Distrito Federal
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8/03/16 às 19h28 - Atualizado em 29/10/18 às 12h03

Codeplan comemora o Dia Internacional da Mulher

“As Mulheres na Contemporaneidade” foi o tema da palestra, ministrada na manhã de hoje (8), pela professora Neuza de Farias Araújo, da Universidade de Brasília, na Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher.

“Vivenciamos, nas últimas décadas, mudanças significativas na vida das mulheres. Essas conquistas devem ser valorizadas, mesmo assim, de acordo com nossas pesquisas e estudos, a questão da mulher ainda tem que avançar em todas as esferas”, enfatizou o presidente da Codeplan, Lucio Rennó, ao abrir a homenagem dedicada à mulher.

A representante da Codeplan no Conselho de Direitos da Mulher (CDM), a pedagoga Maria Nazaré Pereira, ao participar da Mesa, disse que o Dia 8 de Março é um marco para que a sociedade reflita sobre os avanços, assim como as lutas que estão por vir. “É preciso desmitificar o modelo patriarcal a fim de que as mulheres possam ser socialmente iguais apesar de sermos humanamente diferentes como mulheres”.

De acordo com registros, duas datas são apontadas. Uma seria em 8 de março de 1857 e a outra em 25 de março de 1911 para as mortes das 130 artesãs, queimadas em uma fábrica, em Nova Iorque, porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho. Entretanto, a divergência de datas não altera a violência sofrida por aquelas trabalhadoras. De lá para cá, muita coisa avançou: as mulheres, aos poucos, conquistaram espaço social e econômico – direitos civis e passaram a trabalhar fora de casa, alcançaram cargos e posições, antes consideradas masculinas.

Neuza de Farias Araújo afirmou que as mulheres conseguiram espaço no mercado de trabalho, mas continuam, em algumas situações, tendo remuneração inferior à dos homens. Conquistaram também voz e influência no reduto familiar. “Mas, apesar de todo seu avanço, as mulheres não estão completamente livres das desigualdades. Na maioria das vezes, o homem é considerado ainda a autoridade máxima da família. O número de manifestações, como campanhas e passeatas, a favor dos direitos ou de combate à violência contra a mulher, é a prova de que ainda precisam lutar por reconhecimento e pela garantia de seus direitos. O 'sexo frágil' está ficando cada vez mais forte”.

Chefes de famílias

O número de mulheres que se responsabilizam sozinhas pela manutenção da família aumenta a cada dia. A palestrante destacou que as pesquisas mostram que o crescimento do número de lares chefiados por mulheres resulta das transformações sociais ocorridas na sociedade e de fatores como a viuvez, o aumento de separações, a opção por não ter companheiros.

Neuza disse que devido à diversidade e à multiplicidade de pesquisas que vêm sendo realizadas em relação a essa temática, é possível observar que as articulações dos pensamentos da socióloga brasileira, Heleieth Saffioti, autora da obra Gênero, patriarcado, violência (2004), que fez usos da categoria gênero, são perpassadas pela transversalidade de saberes. Para a escritora, o conceito de gênero é central, ganhando uma importância para a compreensão das relações entre mulheres e homens, assim como do próprio questionamento do que se entende por homem e mulher. Nesse sentido, a palestrante referenciou as áreas de Saúde, Jurídicas, Ciências Sociais e Humanas que têm dedicado, mesmo que de forma isolada, à compreensão dos mais diversos mecanismos de opressão das mulheres.

Saffioti trabalha quadros teóricos de referência com vistas a orientar pesquisadores explicitando as características e os contextos em que ocorrem principalmente os seguintes tipos de violência: contra a mulher, de gênero, doméstica Intrafamiliar, entre outros.

Somente uma política de combate à violência – especialmente a doméstica – que se articule e opere em rede, de forma a englobar diferentes áreas (Ministério Público, juízes, polícia, hospitais, defensoria pública) pode ser capaz de ter eficácia no combate à violência.

Ela citou Michaud, 1999, que diz que há violência quando em uma situação de interação de um ou vários atores agem de forma direta, ou indireta, causando danos a uma ou a várias pessoas em sua integridade física, moral, em suas posses ou em suas participações simbólicas e culturais.

Ao falar de violência contra as mulheres, surge o conceito de violência de gênero para remarcar a importância que aqui tem a cultura, para deixar evidente que esta forma de violência é uma construção social. Incluem-se todas as formas de violência, desde os maus-tratos psicológicos, de abuso pessoal, de exploração sexual e de agressão física, a que as mulheres se veem submetidas pela sua condição de mulheres.

Embora o fenômeno social não seja novo, a violência de gênero é uma situação estudada em anos recentes, pelo trabalho dos grupos feministas, das organizações de mulheres, dos direitos humanos e das organizações internacionais. Para a coordenadora de Estudos de Pesquisas Socioeconômicas, Iraci Peixoto, o Dia Internacional da Mulher leva a fazer uma reflexão sobre a participação de mulheres na sociedade. “A mulher conseguiu com muita luta avanços, mas temos ainda muito a conquistar, principalmente no mercado de trabalho que, embora tendo nível de escolaridade superior à dos homens, continua recebendo salários menores.

Uma data importante na definição deste problema social foi a Conferência de Pequim em 1995, onde o fenômeno da violência de gênero foi reconhecido como problema social. Segundo a ONU, a violência contra as mulheres consiste em todos aqueles atos de violência sexista que têm como resultado possível ou real um prejuízo físico, sexual ou psíquico, incluindo as ameaças, a coerção ou a privação arbitrária da liberdade, quer seja na vida pública, quer na privada.

Políticas públicas de gênero

Por último, Neuza pontuou programas que possam contribuir para a tomada de consciência quanto às questões de violência de gênero e dos direitos humanos em geral, ações que desenvolvam metodologias a serem aplicadas às crianças e jovens voltadas para a prevenção, desenvolvimento, com jovens e crianças, de valores, atitudes e princípios no sentido de capacitar e construir relações afetivas de amizade, de trabalho, na paz, no respeito por si mesmos e pelos outros e outras e contribuir para a tomada de consciência da importância da igualdade de gênero e do respeito pelos direitos humanos em geral.

Além da Codeplan, a comemoração contou com o apoio da Associação dos Servidores da Codeplan (Acod), do Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista do DF (Sindser).

Reportagem: Eliane Menezes
Fotos: Toninho Leite

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