Governo do Distrito Federal
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18/05/16 às 21h40 - Atualizado em 29/10/18 às 12h03

Codeplan debate aspectos da segurança alimentar e nutricional no DF

A população jovem do Distrito Federal é a maior consumidora de alimentos de baixo grau nutritivo. Os doces, guloseimas, refrigerantes e lanches fazem parte da categoria desses alimentos – na comparação com os demais estados e capitais do País – mas, também, é o que tem os melhores resultados em relação ao consumo recomendado de frutas, verduras e hortaliças entre a população acima de 18 anos. Foi o que apontou o Estudo descritivo, divulgado hoje,18, na Codeplan.

O presidente da Codeplan, Lucio Rennó, destacou o fôlego da Companhia que tem, em seus quadros, jovens pesquisadores. “O estudo é mais um campo para aprendizagem, que permite às comunidades interessadas no tema aprimorarem junto conosco a abordagem aqui apresentada.

Segundo uma das autoras do estudo, Lídia Cristina Silva Barbosa, o trabalho apresenta quatro etapas: informações sobre o consumo alimentar e resultados do Índice de Massa Corporal, o chamado IMC, além do perfil dos domicílios em situação de insegurança alimentar no DF. “O estudo levanta a discussão sobre o desafio do governo em formular políticas públicas e está voltado à promoção de ações de educação alimentar e nutricional e à erradicação da insegurança alimentar em populações pobres e vulneráveis”. Tamara Vaz de Moraes Santos assina também o estudo.

Consumo de alimentos saudáveis

Para quantificar o consumo de alimentos saudáveis, é preciso que se consuma 400 gramas ou cinco porções diárias. E nessa categoria, o DF possui o melhor percentual de consumo entre as unidades da Federação. Todos os estados da Região Sudeste apresentam melhores resultados de consumo quando comparados aos dados nacionais, contudo, todos os estados da Região Nordeste possuem percentual de pessoas que consomem a quantidade recomendada de hortaliças e frutas inferior ao observado no Brasil.

Os dados revelam que, segundo as características dos indivíduos que consomem a quantidade recomendada de hortaliças e frutas no DF, 56,4% das mulheres fazem uso recomendado de hortaliças e frutas. Com relação ao perfil etário das pessoas com mais de 18 anos que consomem o volume recomendado de hortaliças e frutas, a ingestão é maior nas faixas etárias mais elevadas da população. A população com mais de 60 anos apresenta os maiores percentuais de consumo em comparação às demais faixas etárias, 62,4%.

No Brasil, o percentual de estudantes que relataram consumir hortaliças em nenhum dia da semana foi de 10,7% e cerca de 25% dos escolares informaram que consomem esse alimento uma ou duas vezes na semana, e 43,4% relataram consumir esse alimento cinco dias ou mais por semana. Em Brasília, 54,5% dos escolares relataram ingerir hortaliças cinco vezes ou mais por semana, e 7,7% não consomem este alimento em nenhum dia da semana. Quanto ao percentual de escolares do 9º ano do ensino fundamental, distribuído pela frequência de consumo de frutas nos sete dias, o estudo aponta como o pior do que o resultado obtido no consumo de hortaliças.

Consumo de alimentos pouco nutritivos

Ao responderem sobre consumo de fruta nos últimos sete dias, no Brasil, 21,3% dos escolares responderam que não consumiram fruta nos últimos sete dias. Já em Brasília, 17,3% dos escolares responderam que não ingeriram fruta nos últimos sete dias, sendo que 47,6% dos estudantes consomem guloseimas em cinco dias ou mais dias da semana – com maior percentual entre as capitais. No Brasil, esse percentual é de 41,3%. O percentual de alunos do 9º ano que consomem refrigerantes em cinco dias ou mais da semana, em Brasília, perfaz 32,3% – um pouco inferior ao percentual observado no Brasil, que é de 33,2%. Os menores percentuais de consumo de refrigerante em cinco dias ou mais por semana estão entre os alunos nas capitais da Região Nordeste: Natal, 24%, São Luís, 26,5%, Teresina, 27,8% e João Pessoa, 29,3%.

No Brasil, 22% das pessoas com mais de 18 anos relataram a ingestão regular de refrigerantes. No Distrito Federal, esse percentual é o mesmo do observado no país. “O que chama atenção é um grande número de estados da Região Nordeste em que é baixo o percentual de consumo regular de refrigerante: Alagoas, Maranhão, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte”, destacou Lídia.

“Existe um grande desafio para o Distrito Federal na elaboração e implantação de Políticas Públicas de Segurança Alimentar e Nutricional, pois percebe-se entre a população mais jovem maior consumo de alimentos com baixo grau nutritivo. Além disso, o Estado deve lidar com um percentual da população com grau elevado de insegurança alimentar”, afirmou Lídia. Disse, ainda, que o cenário demanda que o governo atue e formule ações em duas frentes: uma voltada à promoção de ações de educação alimentar e nutricional e outra para erradicação da pobreza e vulnerabilidade que impactará os resultados de insegurança alimentar.

Barbosa acrescentou que a segurança alimentar trabalha com três pontos: a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais; o conceito amplo de difícil mensuração, pois trabalha considerando a qualidade e a insuficiência; e a ausência de segurança alimentar que está relacionada a fome, obesidade, doenças associadas a má alimentação, consumo de alimentos de origem duvidosa ou prejudiciais à saúde e o consumo de alimentos saudáveis (frutas e hortaliças, consumo de alimentos pouco nutritivos (doces e guloseimas, refrigerantes e lanches), índice de massa corporal – IMC e Escala Brasileira de Insegurança Alimentar – EBIA. O estudo teve como base as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar e o suplemento sobre segurança alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Participaram também da Mesa, além do presidente da Codeplan, Lucio Rennó e da palestrante Lídia Cristina, o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas, Bruno de Oliveira Cruz, que também responde pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, o subsecretário de Segurança Alimentar, Jeferson Urani e representando a secretária adjunto de Desenvolvimento Social, Thaís Mandarino.

Veja o Estudo aqui.

Texto: Eliane Menezes
Foto: Toninho Leite

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