Governo do Distrito Federal
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7/03/16 às 22h30 - Atualizado em 29/10/18 às 12h00

Codeplan lança estudo sobre 50 anos de conquistas das mulheres no DF

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) traz a público a Trajetória das mulheres no Distrito Federal – 50 anos de conquistas. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (7), identificou, a partir dos dados dos últimos cinco Censos, a composição da população do Distrito Federal, condições de moradia, situação conjugal e posição familiar, situação socioeconômica das mulheres.

“Apesar de haver diferença ainda nos salários, houve ganhos, avanços, das mulheres ao longo das últimas cinco décadas. Houve uma revolução de fato”, destacou o presidente da Codeplan, Lucio Rennó.

“A Codeplan há algum tempo é referência para dados confiáveis. A produção e disseminação das informações feitas pela Companhia são importantes para tomada de decisão e para a sociedade. Que continue sendo referência como o IBGE e o IPEA”, afirmou a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos.

Ela lembrou as lutas e não só as conquistas. “Há muita desigualdade, dificuldade no dia a dia da mulher”. Mencionou também estudos sociológicos que apontam diferenças na maneira de se expressar, como no caso dos meninos e meninas em escolas. Disse que há longo caminho ainda a ser percorrido e a ser construído. “Caminhos que levem à igualdade. É uma luta não só das mulheres mas de toda a sociedade, que deve ser enfrentada diariamente para que de fato ocorra a mudança”, acrescentou.

Segundo a gerente de Estudos e Análises de Proteção Social, da Codeplan, Lídia Cristina, em 1970, era proporcionalmente maior o percentual de homens na faixa de 18 a 24 anos e na faixa etária acima de 60 anos. Dez anos depois, a população feminina do DF alcançou o mesmo número da população masculina. Em 2010, 57% das pessoas acima de 60 anos eram mulheres. Entre as mulheres, destaca-se a redução da distância entre o percentual de brancas e não brancas com mais de 60 anos no período analisado. Inversão de tendência no período, na faixa de 18 a 59 anos do número de pessoas que se declaravam não brancas. Ampliou o proporcional das pessoas que se declaravam não brancas, na última década.

Condições de moradia

O técnico Thiago Mendes Rosa, ao apresentar as condições de moradia, disse que, em 1970, a casa própria era realidade para mais da metade das mulheres residentes na Capital Federal, chegando a mais de 80% das mulheres com mais de 60 anos. “Para as mulheres acima de 35 anos, verificou-se acesso ligeiramente maior por parte das não brancas”.

Pontuou ainda que, nessa década, mais de 70% das mulheres tinham acesso à iluminação elétrica. Menos de 50% dos lares possuíam geladeira. Em 2000, menos da metade das mulheres tinha acesso à máquina de lavar roupas. Na década seguinte, aumentou o acesso a esse bem. Mais de 60% das mulheres até 35 anos possuíam esse bem, alcançando cerca de ¾ das mulheres em todas as faixas etárias, item importante para a dona de casa.

De acordo com o Estudo, observou-se que, a cada década, as gerações de mulheres têm mais oportunidades, houve redução do número médio de filhos de mulheres do DF. Com relação à renda homem e mulher, Thiago disse que o Distrito Federal é a Unidade da Federação mais rica e desigual e, ao longo dos anos, tem piorado. A década de 1980 foi o período em que a desigualdade de renda entre mulheres apresentou o maior salto, passando de 0,536 para 0,635. “A renda média do trabalho das mulheres de 18 a 24 anos era 86% da masculina em 2010, a menor diferença do período analisado. Até a década de 1990, os valores eram inferiores a 80%”, completou.

Situação conjugal

Ao comparar as informações de situação civil com situação conjugal, a gerente de Estudos e Análises Transversais, Larissa Maria Nocko, disse que ampliou o número de mulheres solteiras nos anos mais recentes e redução do número de viúvas entre as mulheres acima de 60 anos. “Também ampliou o número de mulheres chefes de domicílio no DF no período de 1970 e 2010, e que, para faixa etária de 18 a 24 anos, saltou de 3% para 12% do total de mulheres”.

O diretor de Estudo de Pesquisas Socioeconômicas, Bruno de Oliveira Cruz, que também responde pela Diretoria de Políticas Sociais, disse que a Codeplan continuará com o desdobramento de trabalhos dessa natureza. ”Esse é apenas o pontapé para outros estudos”.

O secretário-adjunto da Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Carlos Alberto Santos de Paulo, enfatizou a importância dos dados apresentados pelos técnicos da Codeplan. “A Codeplan cumpre papel importante ao trabalhar com indicadores. Os dados fortalecem e precisam dialogar com os vários setores”. Disse ainda que, na década de 60, não havia dados desagregados porque se vivia um verdadeiro aparthaid. Hoje existem as ações afirmativas que combatem esse aparthaid.

Veja o estudo aqui.

Reportagem: Eliane Menezes
Fotos: Toninho Leite

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