Governo do Distrito Federal
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6/05/16 às 18h12 - Atualizado em 29/10/18 às 11h59

Cresce no DF número de mulheres que adiaram a primeira gestação

Mulheres com mais escolaridade adiam maternidade e têm menor número de filhos

Estudo divulgado nesta manhã,6, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal, apontou crescimento do número de mulheres que adiaram a maternidade. No estudo, foi observado e descrito o comportamento das mães primíparas – mães que tiveram o primeiro filho – na faixa de 30 a 49 anos de idade, no Distrito Federal, durante o período de 1996 a 2013.

Ao abrir a apresentação, o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas, Bruno de Oliveira Cruz, disse que a Companhia traz a público discussão nova para inserção da mulher no mercado de trabalho. “O estudo contemplou a tendência da fecundidade no DF e as características quanto ao estado civil, escolaridade, raça-cor e tipo de parto nos anos 2000, 2006 e 2013.

“Enquanto nas primíparas, de 30 a 34 anos, caíram 5 p.p, nas mulheres, na faixa de idade de 35 a 39, houve aumento de 5 p.p., o que mostra que as mulheres estão adiando a maternidade. Ao saírem para o mercado de trabalho, as mulheres passaram a adiar a maternidade”, afirmou Ana Boccucci, socióloga e demógrafa, autora do Estudo.

Queda Versus Aumento

A população feminina em idade reprodutiva -15 a 49 anos- diminuiu. Ao comparar o ano de 1996 com o ano de 2013, percebe-se declínio na participação das mulheres do grupo de 15 a 29 anos e aumento do grupo de 30 a 49. Para a socióloga, esse comportamento sugere que seja fruto da queda da fecundidade ao longo das últimas décadas. Quanto aos filhos nascidos vivos de mães entre 15 e 29 anos, registrou-se diminuição em relação aos filhos nascidos de mães entre 30 e 49 anos. “No Distrito Federal, a fecundidade continua em queda. Passou de 2,37% por mulher, em 1966, para 1,64, em 2013, no grupo de mulheres de 30 a 49 anos. Nos grupos de 40 a 44 e 45 a 49 anos, houve pouco mudança nos grupos”, afirmou Boccucci.

Escolaridade

Quando se analisou a escolaridade das primíparas em 2000, 10% das mães só tinham até três anos de estudo, e 29% conseguiram chegar aos 12 anos e mais; em contrapartida, ao se observar 2013, encontrou-se menos de 0,50% das primíparas do grupo com baixa escolaridade, e 72% já haviam chegado aos 12 anos e mais de estudo. Esse quadro revela que as mães primíparas de 30 a 49 anos têm acesso e maior estudo. A professora do Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB), Ana Maria Nogales, presente na divulgação, parabenizou a Codeplan por apresentar estudos relevantes. “O aumento da escolaridade e das cesáreas se deve à disponibilidade da mulher nos dias de hoje, e quanto maior a renda, maior é a idade para se ter o primeiro filho, e isso é padrão no DF”, destacou.

Características

De acordo com os dados coletados no Datasus-Sinasc, no ano 2000, houve maior percentual, 61%, de mães primíparas que se autodeclarou negra, e 39%, não negras. Já, nos anos de 2006 e 2013, houve uma inversão. As primíparas não negras tiveram maior participação. Houve um incremento de mães primíparas com 12 anos e mais de estudo entre aquelas que se autodeclararam não negras. Nas características de negras, ainda há um número considerável de mães com baixa escolaridade.

Tendência

O estudo mostra uma continua queda da fecundidade, no Distrito Federal, no período de 1996 a 2013. Em 1996, a Taxa de Fecundidade Total no DF era de 2,37, enquanto em 2013 foi de 1,64 filhos por mulher, abaixo da Taxa de Reposição.

Boccucci considerou que houve redução da taxa no grupo de mães de 15 a19 anos na gestação do primeiro filho, “uma vez que a sua participação em 1996 era de 39%, passando para 23% em 2013”. Apontou ainda que o grupo de mulheres de 30 a 34 anos subiu de 6% para 19% e entre as de 35 a 39 anos, de 2% para 7%, o que mostra que as primíparas do DF estão adiando o nascimento do filho segundo a série histórica apresentada.

“Outro ponto a ser observado é de que a maioria das mulheres do Distrito Federal que tiveram seu primeiro filho no período estudado, entre 30 e 49 anos, era casada e optou pelo parto cesáreo”, o que sugere implicações para o funcionamento da sociedade no futuro, bem como para o desenho de políticas pública”, completou Boccucci.

Mudanças de comportamento

Ainda segundo o estudo, os fatores que contribuíram para a mudança deste quadro foram mais tempo aos estudos e maior inserção no mercado de trabalho, além dos avanços na tecnologia dentro da medicina quanto às técnicas de trabalho que têm permitido sucesso nas gestações tardias.

Por último, a gerente de Demografia, Estatística e Geoinformação, Cristina Botti, da Codeplan, salientou o número alto de cesáreas nas primíparas. “As mulheres com mais de 30 anos têm optado pelo parto cesáreo em vez do normal. Em 2000, o número de cesariana era de 59,49% dos partos. Após 13 anos, a quantidade saltou para 79,71%.

Veja o estudo aqui.

Reportagem: Eliane Menezes
Fotos: Toninho Leite

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