Governo do Distrito Federal
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22/03/18 às 16h15 - Atualizado em 29/10/18 às 12h13

Distrito Federal de bicicleta

Autoria: Lucio Rennó, presidente da Codeplan e Mônica Velloso, gerente de Estudos Ambientais da Codeplan

A cada dia torna-se mais evidente que não há como escapar à progressiva limitação das viagens motorizadas e o problema pode e deve ser enfrentado a partir de alguns princípios básicos: seja aproximando os locais de moradia aos locais de trabalho, seja ampliando a participação dos modos coletivos e dos meios não motorizados na matriz de transportes. É necessário, portanto, que sejam levadas a efeito políticas públicas que fomentem a mudança nos modos de transporte, inserindo no espaço urbano uma nova infraestrutura de mobilidade comprometida com a melhoria da qualidade de vida. Viabilizar a mudança de atitude, contudo, não é tarefa simples e imediata. Exige atuação coordenada dos governos no sentido de elaborar políticas públicas condizentes com essa realidade complexa e preocupante.

Trazer a bicicleta para a pauta das grandes decisões de governo é, pois, uma alternativa sem retorno. Ela cumpre com a agenda positiva das políticas públicas das grandes cidades do mundo, e a implantação de projetos cicloviários no Distrito Federal conta com uma grande oportunidade de sucesso, posto que sua topografia é favorável, o clima é bom e os ciclistas ultrapassam o número de 40 mil.

A mudança está em curso. Já foram entregues à população 330 quilômetros de ciclovias em área urbana e 40 quilômetros em rodovias. Já foram implantados aproximadamente 100 quilômetros de acostamentos cicláveis em diversas localidades e estão em andamento obras que somam mais 30 quilômetros. Pode-se afirmar, portanto, que o DF conta hoje com a marca de 500 quilômetros de vias adequadas ao trânsito de bicicletas. Isto significa dizer que o DF situa-se em terceiro lugar no ranking das cidades do mundo com maior extensão de vias adequadas ao trânsito de bicicletas. Perde somente para Berlim e Nova Iorque, ficando na frente de Amsterdã, Paris, Bogotá, Copenhagen, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.

Importante salientar que a construção das ciclovias, muitas vezes vista como antipática medida de segregação, traz consigo uma indubitável externalidade positiva – os ciclistas, por serem atores vulneráveis no trânsito, são vítimas potenciais de acidentes com morte, situação mitigada com a construção de vias destinadas exclusivamente ao uso das bicicletas. Prova disso, é que nos três últimos anos o número de mortes em números absolutos foi aproximadamente reduzido à metade. Isso sem contar que o número de viagens de bicicleta aumenta a cada dia. Segundo dados da Codeplan, em 2005 eram 38 mil viagens, em 2007, mais de 51 mil, hoje estima-se em 70 mil.

Ou seja, boas políticas públicas não só promovem uma melhor qualidade de vida, mais saudável, menos poluente e mais eficiente, mas salvam vidas! Certamente ainda há um longo caminho a se seguir na melhora da política de ciclovias no DF. É preciso ampliar a oferta de bicicletários, melhorar a integração entre os mais diversos modais, ampliar o sistema de bicicletas de aluguel, melhorar defeitos de pavimento e sinalização, entre outros aspectos de absoluta relevância, mas de fácil solução.

Continuar as obras de ciclovia é tarefa que não deve cessar. As microrredes hoje existentes em várias cidades precisam ser ampliadas e ligadas umas às outras para a formação de uma rede integrada. As ciclovias proporcionam uma via 100% segura para todos, inclusive crianças e idosos, portanto, um dos maiores exemplos de democratização do espaço público. Por outro lado, dentro da visão do compartilhamento, é desejável que implantemos ciclorrotas em vias locais onde o volume de tráfego seja baixo. Criar programas de “traffic calming” nas nossas cidades, limitando as velocidades em 30km/h, como há muito se faz na Europa, é uma medida de real transformação cultural.

Entretanto, para a adoção dessas medidas, precisamos entender melhor o perfil e necessidades dos usuários, promover melhorias na sinalização e na padronização, ampliar a fiscalização e, claro, investir maciçamente em programas de educação para o trânsito voltados aos motoristas e aos ciclistas. De toda sorte, as análises iniciais indicam que houve avanços enormes com a adoção dessa política que estimula uma vida com mais qualidade.

 

Publicado no Correio Braziliense, de 18/04/2015.

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